Operação prende 28 suspeitos de facção; líderes são caçados pela polícia

 

Ericson Henrique Lopes Ávila, Ítalo dos Santos Silva, Luis Ricardo Fernandes de Oliveira e Emerson de Jesus Dias Santos, foragidos da Operação Intifada 

Uma operação da Polícia Civil prendeu 28 pessoas suspeitas de integrar o Primeiro Comando de Vitória (PCV), facção criminosa que atua na região da Grande São Pedro, em Vitória, no Espírito Santo. A ação, denominada Operação Intifada, foi realizada na quarta-feira (14/10) e mobilizou cerca de 200 policiais, além de mais de 50 viaturas, com apoio da Polícia Penal e do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (Notaer).

Ao todo, foram expedidos 44 mandados de prisão e 76 de busca e apreensão. Segundo a Polícia Civil, as equipes continuam nas ruas para localizar os demais alvos. A estratégia busca atingir desde os responsáveis pela venda de drogas até as lideranças e os integrantes envolvidos em ataques violentos.

A apuração teve início após o assassinato de Breno, em 7 de setembro de 2025, no bairro Redenção, em Vitória. A vítima foi morta por morar em uma região associada ao Terceiro Comando Puro (TCP) e namorar uma mulher que vivia em território dominado pelo PCV. Um dos executores do crime havia migrado do TCP para o PCV e teria indicado a vítima aos outros envolvidos. Breno foi atingido por 12 tiros na cabeça.

A investigação permitiu identificar integrantes de diferentes núcleos da organização criminosa, incluindo pessoas encarregadas da venda e da preparação de drogas, da movimentação financeira e da coordenação de ataques contra grupos rivais.

A disputa entre PCV e TCP se intensificou em 2025, com confrontos em diferentes pontos da Grande São Pedro. Um dos episódios investigados ocorreu no bairro Conquista, onde integrantes do PCV teriam organizado uma ofensiva armada para tomar o território de rivais. A polícia também apura um homicídio em que um homem foi encontrado morto e amarrado na região.

Posteriormente, houve um duplo assassinato no bairro Redenção, na virada de 1º para 2 de novembro de 2025. As vítimas foram identificadas como Cauã e Pedro Henrique. O crime teria sido uma retaliação atribuída a integrantes do TCP.

Outros ataques armados foram registrados nas localidades conhecidas como Carandiru, no bairro Santa Marta, e Mangue Seco, em Andorinhos. Neste último caso, os suspeitos teriam utilizado barcos para atravessar uma área de mangue e disparado contra um grupo que vendia drogas no local. O trabalho de investigação permitiu identificar integrantes envolvidos nesses episódios e mapear a estrutura operacional da facção.

Entre os principais alvos que ainda não foram localizados estão três suspeitos apontados pela Polícia Civil como lideranças da organização: Emerson, conhecido como “Pesadão”; Luiz Ricardo, o “Rico”; e Erickson Henrique, chamado de “Melão Henrique”. Emerson e Erickson estariam na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro. O paradeiro de Luiz Ricardo não foi confirmado.

Outro suspeito citado pela polícia é Ítalo, conhecido como “Pocadinho”, apontado como responsável por executar integrantes de grupos rivais. Segundo a investigação, ele teria trocado tiros com policiais durante uma tentativa de prisão anterior e conseguido fugir.

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam entorpecentes, dinheiro e materiais utilizados para embalar drogas.

Fonte: Folha Vitória