Especialistas alertam para riscos do uso indiscriminado de tadalafila

 

O aumento do uso recreativo da tadalafila entre jovens e idosos levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a emitir um alerta sobre os riscos associados ao consumo indiscriminado do medicamento. Indicada para tratamento da disfunção erétil e da hiperplasia prostática benigna, a substância tem sido utilizada sem prescrição médica e fora das indicações previstas em bula, principalmente para melhora de desempenho sexual e físico, prática que pode provocar complicações graves à saúde.

No alerta de farmacovigilância divulgado em setembro de 2025, a Anvisa informou que medicamentos da classe dos inibidores da fosfodiesterase tipo 5, como tadalafila, sildenafila, vardenafila, udenafila e lodenafila, só devem ser vendidos mediante prescrição médica. Conforme a agência, o uso sem avaliação clínica adequada aumenta o risco de eventos cardiovasculares graves.

Dentre as complicações cardiovasculares decorrentes do uso indiscriminado do medicamento, estão: hipotensão sintomática (especialmente se usado com outros vasodilatadores, em especial, nitratos), interação farmacológica que pode precipitar desmaio, palpitações e piora dos sintomas de doenças cardíacas preexistentes.

As indicações estabelecidas para uso da substância são: disfunção erétil confirmada, após avaliação com urologista e hipertensão pulmonar arterial (em formulações e doses específicas após avaliação de cardiologista e pneumologista, especialistas na área).

Entre os principais efeitos adversos citados pela Anvisa estão infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral, taquicardia, dor no peito e morte súbita cardíaca. O órgão também chama atenção para episódios de hipotensão severa, principalmente em pacientes que fazem uso concomitante de nitratos, combinação considerada contraindicada devido ao risco de queda acentuada da pressão arterial e desmaios.

Em Feira de Santana, a cerca de 100 quilômetros de Salvador, a morte de um jovem de 23 anos após o uso de tadalafila, em outubro do ano passado, chamou a atenção para os riscos do uso do medicamento. Segundo relato do pai, o jovem ingeriu a substância, passou mal no dia seguinte, após jogar futebol, foi socorrido para o hospital, mas não resistiu.

Dentre os sinais de alerta de que o uso do medicamento pode ocasionar à saúde estão a ocorrência de tontura repentina, desmaio ou sensação de desmaio, palpitações, dor no peito ou falta de ar após tomar o comprimido. Se qualquer um desses sintomas ocorrer, o paciente deve interromper o uso e buscar orientação médica.

A agência nacional também relatou crescimento da circulação de produtos irregulares contendo tadalafila em formatos não autorizados, como gomas e suplementos vendidos em redes sociais e plataformas digitais. Em maio do ano passado, a Anvisa proibiu a comercialização do gummy de tadalafila "Metbala", após identificar irregularidades na formulação e ausência de autorização para venda do produto no país.

Segundo o alerta, o uso dessas substâncias para fins estéticos, ganho de massa muscular ou melhoria de desempenho físico não possui comprovação científica de eficácia e segurança. A Anvisa afirma que o consumo recreativo tem se disseminado principalmente em academias e ambientes digitais, impulsionado pela falsa percepção de que a medicação seria inofensiva por já ser amplamente conhecida pela população.

Em todo o país, diversos registros de internação de pacientes após o uso da tadalafila levaram a Agência Nacional a intensificar ações de conscientização da população. Além dos riscos cardiovasculares, o órgão regulador também alertou para a possibilidade de ereção dolorosa e prolongada, condição considerada emergência médica quando dura mais de quatro horas.

O documento cita ainda casos de perda repentina da visão, diminuição da audição, zumbido, tontura intensa, hipertensão e desmaios associados ao uso inadequado do medicamento. Reações adversas mais frequentes, como dor de cabeça, congestão nasal, vermelhidão facial e desconforto estomacal, também foram destacadas pela agência no comunicado.

A Sociedade Brasileira de Urologia, mencionada no alerta, informou que embora a tadalafila não provoque dependência química, o uso frequente para melhora do desempenho sexual ou físico pode gerar dependência psicológica. A entidade aponta que muitos usuários passam a condicionar a autoconfiança e o desempenho à utilização do medicamento, situação que pode afetar a saúde mental e sexual ao longo do tempo.

Fonte: Tribuna da Bahia