Pensão alimentícia pode mudar e ficar mais cara para pais ausentes

 

Pais que participam pouco — ou quase nada — da criação dos filhos poderão pagar valores maiores de pensão alimentícia no Brasil. Um projeto em tramitação no Congresso Nacional pretende mudar a forma como a Justiça calcula a pensão e incluir, além da renda financeira, o nível de participação de cada responsável na rotina da criança.

Na prática, a proposta permite que juízes aumentem o valor pago por genitores que não dividem tarefas do dia a dia, como acompanhamento escolar, cuidados médicos, presença emocional e responsabilidades da rotina infantil.

Hoje, o cálculo da pensão alimentícia leva em consideração principalmente dois fatores: a necessidade da criança e a capacidade financeira de quem paga. O novo texto mantém esses critérios, mas acrescenta um terceiro ponto: o peso do chamado “trabalho invisível” exercido por quem assume sozinho os cuidados dos filhos.

Projeto quer ampliar cálculo da pensão

A proposta, que já foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, altera a forma como os magistrados poderão interpretar os casos familiares.

Com isso, situações envolvendo abandono afetivo, ausência frequente na criação da criança e concentração das responsabilidades em apenas um dos pais poderão influenciar diretamente no valor fixado pela Justiça.

Na prática, isso significa que dois pais com a mesma renda poderão pagar valores diferentes de pensão, dependendo da participação que possuem na vida do filho.

Como isso pode funcionar na prática?

O projeto ainda não define percentuais fixos de aumento, já que cada caso continuará sendo analisado individualmente pela Justiça. Mas especialistas explicam que o texto abre espaço para revisões maiores nos valores.

Um exemplo hipotético seria o de um pai que paga R$ 800 de pensão, mas não participa da rotina escolar, consultas médicas ou cuidados básicos da criança. Caso o projeto seja aprovado, o juiz poderá considerar que toda a carga física e emocional está concentrada no outro responsável e, diante disso, aumentar o valor da pensão.

Outro cenário possível envolve famílias em que um dos pais precisa reduzir jornada de trabalho, abrir mão da carreira ou assumir sozinho atividades diárias relacionadas ao filho. Nesses casos, o impacto dessa sobrecarga também poderá entrar no cálculo judicial.

Projeto ainda precisa passar pelo Senado

Apesar da aprovação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, o projeto ainda não virou lei.

O texto seguirá para análise no Senado Federal e, caso seja aprovado, ainda dependerá de sanção presidencial para entrar em vigor.

Até lá, as regras atuais da pensão alimentícia continuam valendo normalmente em todo o país.

Fonte: A Tarde