Março foi o mês mais letal por
Covid-19 desde o início da pandemia em Eunápolis, há cerca de um ano. Conforme
boletim divulgado pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), até terça-feira
(30), o município totalizava 20 mortes no acumulado do mês. O 21º óbito,
ocorrido à tarde, ainda não havia sido contabilizado no boletim da Sesab. Entre
as 417 cidades baianas, Eunápolis ocupa a 15ª posição no ranking de óbitos.
Por trás dos números frios de óbitos e de infectados, há nomes,
rostos, famílias, histórias e memórias. Entre os 21 mortos do mês de março
estão pessoas como Marlete Souza, de 40 anos, Evandro Xavier, 42; Fernando
Souza, 33; Cristian Brito, 45; Jeane Aparecida de Souza, 38, e Kátia Carneiro,
59 anos, que faleceu na tarde de terça-feira (30/03).
Nesta lista está também o técnico em
enfermagem Ítalo Santos do Carmo, de 33 anos, que morreu na última sexta-feira
(26) após ser
infectado por uma paciente na UTI do Hospital Regional, onde ele trabalhava. Ítalo contraiu o vírus mesmo já tendo recebido
as duas doses da vacina e ter completado o período de 15 dias para a imunização
total.
MEDIDAS POUCO RESTRITIVAS
Além da vacinação, a medida mais adotada por países, estados e
municípios para conter a propagação do vírus é a quarentena e, em casos mais
extremos, o lockdown. O objetivo ao restringir as aglomerações é fazer com que
o número de casos ativos que necessitem de hospitalizações não supere o número
de leitos hospitalares disponíveis, como já vem ocorrendo em muitas cidades
brasileiras, inclusive Eunápolis, onde a ocupação de leitos de UTI, tanto na
rede particular quanto pública, esteve em 100% praticamente todo o mês de março.
Mesmo com a situação de colapso no sistema de saúde do
município, a prefeita Cordélia Torres (DEM) preferiu
contrariar o decreto do governador Rui Costa e editou outro com medidas mais
flexíveis, permitindo que o comércio e diversas atividades não
essenciais seguissem funcionando, o que gerou uma insegurança jurídica e o
atraso em conter o avanço do coronavírus em Eunápolis.
A atitude da prefeita, criticada por muitos, foi considerada um
gesto de “coragem” pelo marido dela, o ex-prefeito Paulo Dapé, que ainda sofre as sequelas deixadas
após passar mais de 40 dias internado com Covid.
A resistência de Cordélia Torres em adotar medidas restritivas mais duras reflete na pouca fiscalização da 7ª Companhia Independente de Polícia Militar para coibir aglomerações e descumprimento de horário de funcionamento do comércio e o toque de recolher. Ao contrário do comando do 8º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Porto Seguro, que tem feito operações de apoio para garantir o cumprimento do decreto estadual, em Eunápolis não se vê esse tipo de ação. Sem policiamento para reprimir as aglomerações, é fácil encontrar bares e estabelecimentos lotados em vários bairros da cidade.
CASOS ATIVOS
Desde o início da pandemia, foram 7.782 casos confirmados de
pessoas infectadas com coronavírus, sendo 1.712 novos registros somente em
março. Já os números da Secretaria Municipal de Saúde divulgados na terça-feira
apontam que houve 117 mortes por Covid em Eunápolis, com 7.514 pacientes infectados,
sendo 213 ativos.
Dos 7.782 casos de coronavírus confirmados pela Sesab no
município de Eunápolis, 171 encontram-se ativos. No dia 1º de março, eram 176
ativos, sendo que o pico mensal ocorreu no dia 14, com 273 casos. Os casos
ativos descartam pacientes curados e mortos e são um indicador importante para
saber se a pandemia está ganhando ou perdendo força.
Fonte: Radar 64


