O que deveria ser um
procedimento simples para correção de uma fratura na mão esquerda terminou em
tragédia e revolta na cidade de Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia. A
morte prematura de Wemerson Lima Evangelista, de apenas 22 anos, gerou comoção
e levou familiares e amigos a protestarem em frente à Unidade de Pronto
Atendimento (UPA) na quarta-feira (22/04), em busca de respostas e justiça.
Familiares acusam negligência
de profissional de saúde e afirmam que Wemerson estava consciente e bem antes
de receber injeção que teria sido aplicada de forma equivocada. Informação
sobre demissão de técnica de enfermagem circula nos bastidores, mas ainda não
foi confirmada oficialmente.
Wemerson Lima Evangelista deu
entrada inicialmente na UPA, onde permaneceu internado por quatro dias após
sofrer um acidente que resultou na fratura. Posteriormente, Wemerson foi
transferido para o Hospital Regional para a realização de uma cirurgia eletiva
de reparação na mão. Segundo o relato detalhado dos familiares à nossa
reportagem, o jovem estava em bom estado geral e consciente momentos antes da
fatalidade.
O relato da família:
"A medicação era para o soro, mas foi aplicada direto na veia".
De acordo com os parentes,
profundamente indignados com a morte prematura, a tragédia teve início após a
administração de uma medicação que deveria ser diluída no soro fisiológico. Os
familiares alegam que a substância foi aplicada de forma direta na veia do
paciente, por meio de um acesso venoso, sem a devida diluição.
"Ele estava bem,
conversando, esperando o momento da cirurgia. Foi só aplicarem essa medicação
que ele instantaneamente começou a passar mal. Reclamou de uma dor de cabeça
fortíssima, começou a vomitar e, em questão de segundos, já estava sofrendo uma
parada cardíaca", descreveu um familiar, visivelmente abalado.
A equipe de enfermagem do
hospital tentou manobras de reanimação cardiopulmonar, mas Wemerson não
resistiu. A família atribui o óbito a uma suposta negligência na aplicação do
remédio e afirma não ter recebido informações claras da direção da unidade hospitalar
sobre o ocorrido até o momento.
Indignação e pedido de
punição exemplar
A dor pela perda do jovem se
mistura à revolta pela conduta profissional que teria causado a morte.
Familiares descrevem Wemerson como um rapaz íntegro e batalhador, cujo futuro
foi brutalmente interrompido.
"É uma indignação que
não cabe no peito. Era um menino bom, trabalhador, de apenas 22 anos. Uma vida
inteira pela frente, interrompida pela mão de uma profissional desatenta,
negligente, para não dizer criminosa. Essa mulher precisa ser presa, perder a
licença para atuar. Nós queremos justiça! Não foi uma doença que matou ele, foi
um erro que não pode ficar impune", desabafou um parente próximo, em meio
a lágrimas.
Investigação em andamento
O corpo de Wemerson Lima
Evangelista foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) de Teixeira de
Freitas, onde passou por exame de necropsia. O laudo pericial, que deverá
apontar a causa técnica da morte e se houve correlação com o medicamento administrado,
ainda não foi concluído. A família informou que também não teve acesso ao
prontuário médico do paciente, documento fundamental para esclarecer os
procedimentos adotados pela equipe de saúde.
O protesto realizado em
frente à UPA chamou a atenção para a fragilidade do atendimento na rede pública
de saúde e aumentou a pressão popular por respostas rápidas e transparentes. O
caso segue em apuração pelas autoridades competentes, e a expectativa agora se
volta para o resultado do laudo do IML, que promete ser peça-chave para a
elucidação das circunstâncias desta morte precoce.
Fonte: Liberdadenews
