Microdados do Ministério da Saúde mostram que os brancos
(38%), representam quase o dobro dos pardos ou pretos (21%) entre os vacinados
até agora. Os amarelos são 12%, os indígenas equivalem a 2%, e outros 27% não
tiveram a cor informada.
Em números absolutos, foram 3,9 milhões de doses aplicadas em
brancos e 2,2 milhões em negros até segunda-feira (22), considerando apenas a
primeira dose. Vale lembrar que esses dados têm uma defasagem em relação às
quantidades divulgadas pelos estados.
O primeiro fato que explica essa desigualdade é o perfil dos
trabalhadores da saúde, que compõem o maior número de vacinados até agora. Até
2010, censo mais recente do IBGE, só 15% dos médicos e 38% dos funcionários da
enfermagem ou parto se identificavam como pardos ou pretos.
A segunda explicação é a distribuição de idade da população
em geral. Os brancos representam cerca de seis a cada dez idosos entre 80 e 99
anos no país, outra parcela que já foi majoritariamente imunizada em quase
todos os estados.
por Júlia Barbon e Flávia Faria | Folhapress
