Um adolescente assiste a vídeos do presidente Jair Bolsonaro
sentado numa escadaria estampada com um grafite da vereadora assassinada
Marielle Franco. Em seguida, o jovem guarda o celular no bolso e sai andando de
skate pelas ruas de São Paulo. Ele então chega a um cemitério e retira de um
túmulo a cabeça de Bolsonaro enrolada em um saco de lixo, que é usada como bola
de uma partida de futebol numa quadra de bairro.
A pelada com a cabeça do presidente é o mais novo capítulo do
projeto "Freedom Kick", ou chute da liberdade, uma ação do coletivo
americano de arte de rua Indecline com o artista plástico espanhol Eugenio
Merino. A iniciativa promove partidas de futebol amador em que as bolas são
réplicas de silicone de cabeças de líderes que o grupo define como populistas
-além do brasileiro, já entraram em campo o russo Vladimir Putin e o americano
Donald Trump.
A pelada em São Paulo aconteceu no bairro do Bom Retiro com
operários e pessoas que discordam do atual governo, mas não necessariamente
jogadores de futebol, afirma a fonte anônima. No final da partida, um dos
membros do time entregou a cabeça de Bolsonaro para um cachorro labrador, que
se refestelou com seu novo brinquedo antes de posar para uma foto com toda a
equipe.
Depois da divulgação do vídeo brasileiro no Instagram do
coletivo, seus integrantes passaram a receber ameaças de morte, uma resposta
que já era esperada, dado o histórico de ações controversas do grupo, segundo o
membro em questão. Formado em 2001 por grafiteiros, fotógrafos e ativistas, o
Indecline é conhecido por realizar projetos com o objetivo chocar a opinião
pública, como quando instalou um boneco de Trump atrás das grades dentro de uma
suíte luxuosa da Trump Tower, em Nova York.
Por: Folhapress
