Consolidação inédita dos dados de
2019 mostra que a estatística do feminicídio trilhou a contramão dos demais
crimes violentos e cresceu 7,2% no país, com expansão expressiva em alguns
estados.
Foram consultadas as 27 unidades da
federação e os dados atestam a morte de 1.310 mulheres no ano passado vítimas
de violência doméstica ou por sua condição de gênero.
Em 2018, foram 1.222. Ou seja, de
acordo com os registros oficiais, de três a quatro são assassinadas em média a
cada dia no Brasil, na maioria dos casos por companheiros e ex-companheiros.
O ainda deficiente enquadramento
dos casos pelas autoridades em alguns lugares, porém, pode estar escondendo um
quadro bem pior.
Na quarta-feira (19), houve pelo
menos sete assassinatos de mulheres com indicativos de feminicídio, além da
localização de um oitavo corpo cujo caso também se enquadra nesse tipo de
crime.
Em todos os casos, os suspeitos são
companheiros e ex-companheiros, com exceção de Jundiaí (SP), onde o homem
apontado como autor teria tentado flertar com a vítima, sem sucesso. Ele morreu
linchado na cena do crime.
O feminicídio virou qualificador do
homicídio em 2015 — elevando a punição de 6 a 20 anos para 12 a 30 anos.
Os números mostram que em 2019
houve aumento de mais de 30% nos registros em São Paulo, Santa Catarina,
Alagoas, Bahia, Roraima, Amazonas e
Amapá. Só na região Norte houve recuo.
Em números absolutos, São Paulo
(182), Minas Gerais (136), Bahia (101) e Rio Grande do Sul (100),
registraram o maior número de casos.
De acordo com dados consolidados
pelo Ministério da Justiça, que não trata ainda o feminicídio de forma
separada, de janeiro a setembro de 2019 houve redução de 22% nos homicídios
dolosos e latrocínios, tendência de queda já verificada desde 2018.
As vítimas são alvo de todo tipo de
agressão, como espancamento, estrangulamento, uso de machado, pedra, pau,
martelo, foice, canivete, marreta, tesoura, facão, enxada, barra de ferro,
garfo, chave de fenda, bastão de beisebol, armas de fogo, e, em especial,
facas.
Diretora-executiva do Fórum
Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno afirmou que, apesar de parte do
crescimento no registro do feminicídio possa estar associado a uma maior
capacitação das autoridades na tipificação do crime, o acompanhamento dos dados
detalhados mostra que há crescimento real.
Fonte: Folha
