O
vídeo de um preso sendo incitado a dizer que é da facção criminosa Primeiro
Comando da Capital (PCC) começou a circular na terça-feira (10) nas redes
sociais e por meio do aplicativo WhatsApp. Na filmagem, o preso, identificado como
Adonai Leocádio da Silva, 18, diz assustado que não é do PCC e sim da facção
Família do Norte (FDN). Ambas as facções são envolvidas no massacre que ocorreu
no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) e na Unidade Prisional do
Puraquequara (UPP), onde, ao todo, 60 internos foram assassinados nos dias 1° e
2 de janeiro.
O
vídeo mostra supostos policiais tentando associar a imagem de Adonai ao PCC.
Com fardas da PM, dois homens expõem o rosto do preso e também mostram para a
câmera inscrições no corpo dele com as letras “PCC”. Demostrando estar se
divertindo com a situação, um dos homens fardados ainda chega a citar o nome de
“Zé Roberto da Compensa”, líder da FDN, e insinua que o mesmo poderia decapitar
Adonai, também se referindo para a série de assassinatos que ocorreram no
Compaj e no Puraquequara. “Olha aí, Zé Roberto, para você arrancar a cabeça”,
declara.
Pelas
imagens, é perceptível a intenção dos supostos PMs de colocar a vida do preso
em risco, ao associar a imagem dele à facção PCC, rival da FDN, e que foi alvo
do massacre nos presídios Compaj e UPP. Em outros trechos do vídeo, Adonai
afirma, aos prantos, que não é do PCC, e sim da FDN. “Por favor, para com isso,
eu sou FDN”.
O
vídeo teria sido gravado durante a prisão de Adonai na manhã do último sábado
(7), em Manaus, depois dele ter assassinado a facadas um homem conhecido apenas
como Anderson, no bairro Jorge Teixeira, na Zona Leste. Na filmagem, Adonai
está com a mesma blusa em que aparece na foto de divulgação enviada pela
assessoria de impressa da Polícia Militar no último dia 7 de janeiro. Segundo a
própria PM, a prisão de Adonai foi feita por PMs da 30ª Companhia Interativa
Comunitária (Cicom). Depois, ele foi levado e flagranteado no 14º Distrito
Integrado de Polícia (DIP).
Em
nota, a Polícia Militar do Amazonas informou que o comando da instituição tomou
conhecimento das imagens e determinou a abertura de uma investigação
preliminar, que será feita pela Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD).
“Informamos ainda que, se ficar constatado que há indícios de autoria e
materialidade de crime militar ou transgressão disciplinar praticado pela
equipe que participou das imagens, será instaurado um inquérito policial
militar para a apuração da conduta dos mesmos”.
Veja vídeo: