O brasileiro é imediatista e tem baixíssima
tendência à poupança, mostram cálculos inéditos feitos a partir de levantamento
do Datafolha. Eles medem o excesso de peso dado ao presente - o que os
economistas chamam de "present bias", ou, em termos simples,
imediatismo. O resultado do estudo é relevante para a formulação de políticas
públicas, porque indica a resistência das pessoas a abrir mão de consumo no
presente em troca de poupar e elevar recursos no futuro. O levantamento mostra
ainda que 65% não poupam para o futuro — mesmo entre os mais ricos, cerca da
metade não faz reservas. Uma explicação é que há pouco incentivo para poupar
porque aposentadoria e FGTS repõem ou superam a renda atual na maior parte dos
casos. O problema é que a reforma da Previdência deve reduzir benefícios e
adiar sua obtenção, elevando a importância da poupança particular e voluntária.
E o estudo mostra o brasileiro despreparado para isso, seja por ignorância,
seja por imediatismo.
