À frente do Ministério da Justiça desde a posse de Michel Temer,
Alexandre de Moraes protagonizou falhas que foram expostas no recente colapso
dos sistemas prisionais de Manaus, que deixou 56 mortos, e Roraima, que teve 33
internos assassinados. Na última semana, em meio ao maior caos
penitenciário, suas reações consideradas equivocadas despertaram a articulação
no meio jurídico para que ele renuncie ao cargo, ou então seja exonerado pelo
presidente.
A mais recente crítica é em relação à afirmação do ministro de que o
Estado de Roraima, palco de uma nova matança com pelo menos 30 mortos, não
havia pedido apoio ao Ministério da Justiça para crise em seu sistema
prisional. Ele foi desmentido em um documento revelado pelo jornal O
Globo, que mostra justamente o contrário. Moraes, então, recuou e disse que o
apoio requerido era para “segurança pública” e não por “sistema
carcerário”.
Novamente, o ofício assinado pela governadora do Estado Suely Campos,
contradisse a fala do ministro, uma vez que dispõe pedido de ajuda para o
sistema prisional, o que foi negado expressamente pelo ministro.
As reações foram imediatas. Em suas redes sociais, professor de estudos
organizacionais formado em administração e pesquisador da FGV, Rafael
Alcadipani, repercutiu o fato e também pediu a renúncia de Moraes.
Já o Procurador do Estado de São Paulo Márcio Sotelo Felippe, afirmou
que a mentira do ministro que negou ajuda aos presos o torna responsável
político pelas mortes.
O professor doutor de direito penal e advogado criminalista, Jader
Marques, protestou em suas redes sociais: “Sr. Ministro da Justiça: renuncie!”.
Não é a primeira vez que Alexandre de Moraes tem sua renúncia ou
exoneração requerida. Quando, em época eleitoral, foi a Ribeirão Preto/SP fazer
campanha política para o candidato eleito Duarte Nogueira (PSDB), o ministro
antecipou uma ação da Lava Jato, deixando claro sua interferência na operação.
Naquela ocasião, o jornal Estado de São Paulo chegou a fazer um editorial
cobrando sua saída do cargo.

