Conhecido no noticiário político-policial da
Operação Lava-Jato, o deputado federal e réu no petrolão
Aníbal Gomes (PMDB-CE) é uma figura praticamente invisível na
Câmara dos Deputados. De 1995 para cá (está no sexto mandato), há apenas
registros de cinco discursos de Gomes em plenário – o último aconteceu em 2004,
para saudar a nomeação do então senador e hoje deputado Carlos Bezerra
(PMDB-MT) ao cargo de presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Nesta legislatura, o peemedebista não apresentou nenhum projeto e, ao longo de
todo o ano de 2016, apenas compareceu ao Congresso a partir de setembro.
A baixa assiduidade, no entanto, não se
repete quando se trata de desfrutar dos privilégios concedidos aos
congressistas. Mesmo em meio a uma sequência de faltas, o deputado cearense
exigiu, por meio da cota parlamentar, o reembolso de seus gastos. O “cotão”,
como é informalmente chamado, tem a finalidade exclusiva de custear despesas
com o mandato. O deputado cobrou, no ano passado, o reembolso de 182.877,78
reais. Apenas deixou de apresentar notas enquanto afastou-se formalmente do
cargo, de maio a setembro, e seu suplente sentou na cadeira.
Até mesmo quando justificou ter dores na
coluna para não comparecer à Câmara – ele faltou a simplesmente todas as 36
sessões realizadas entre o início de fevereiro e o final de abril com tal
argumento -, o deputado desfrutou do dinheiro que deveria cobrir exclusivamente
gastos decorrentes da atividade parlamentar.
Nesse período, Gomes fez mais de trinta viagens
entre Fortaleza, sua base eleitoral, e Brasília, onde mora com a família. Ou
seja: uma média de um voo a cada quatro dias. Todas as notas foram apresentadas
a Casa e, em seguida, reembolsadas. Ao faltar às sessões nos primeiros quatro
meses do ano, o congressista afirmou que estava em tratamento de saúde.
Whatsapp do Trabuco Notícias: (73) 98170 – 8327
