Uma estudante da
Universidade Federal do Pará, em Altamira, recebeu ameaças de violência e morte
nas redes sociais. O caso ocorreu quando Sonia Regina Abreu sofreu injúria
racial de um perfil falso com o nome “Branco White”. "Neguinha como você a
gente estupra e depois queima para não poluir o solo. Lugar de negro é na
senzala ou a sete palmos", disse o texto.
A estudante afirmou que,
assustada, procurou a Polícia Civil. "Fiquei chocada. Eu nunca imaginei na
vida passar por essa situação. Ver meu nome deste jeito, exposto com agressões
tão fortes e ameaças de morte, por eu ser negra", contou.
No dia seguinte, o agressor
enviou um e-mail para a vítima, em que debochava ao dizer que utilizou o
computador da própria vítima, dentro da universidade, para fazer as postagens.
Ele ainda sugeriu que ela seria o início do equivalente a uma limpeza étnica.
"Você é só o começo. Vamos limpar Altamira dessa peste negra",
escreveu por email. É uma situação estarrecedora.
“O que esta pessoa ou este
grupo fez na internet foi dirigir o preconceito racial a esta moça e a raça
negra como um todo", disse a promotora Lucinery Ferreira, que coordena o
núcleo de enfrentamento à violência contra a mulher no Ministério Público do
Pará.
Ela explicou que a polícia
busca, agora, identificar se o responsável está envolvido com algum grupo que
prega ódio contra negros em outros estados e até fora do Brasil. "Se for
identificado que é um movimento com reflexo no exterior, até a Polícia Federal
deve se envolver pois se torna um crime transnacional. Estamos em um primeiro
momento. Ontem (15) foi o depoimento da vítima, e agora estamos iniciando a
apuração", concluiu.