Recentemente, as manchetes da imprensa baiana estamparam os seguintes títulos:“Acusados de matar por dívida de R$ 100 são absolvidos”; “Dívida de R$ 500 leva acusado a tentativa de homicídio”; “Torneiro pede empréstimo de R$ 30, atira em credor e vai a júri”.
A banalização da vida humana, causada, muitas vezes, por dívidas de pequeno valor.
Hoje, infelizmente o homem mata outro por míseros trocados e por aí se vê que a vida humana cada dia vale menos e tem menor importância. O grande problema é que a sociedade vai se acostumando a isso reagindo de maneira fria, desprezível e insensível.
O sujeito prefere matar o seu semelhante com uma arma que é mais cara que o débito a pagar a dívida. É isso que confunde nossas cabeças.
Os acusados têm sido julgados no júri popular por motivos banais e esdrúxulos. A insensibilidade tem sido tamanha a ponto de nossos legisladores estabelecerem penas mais gravosas para os delitos contra o patrimônio do que os crimes dolosos contra a vida humana. Até para as nossas Casas de Leis o patrimônio tem maior significado que a vida do homem.
Estamos aqui nos referindo somente a assassinatos envolvendo dívidas e nem estamos mencionando as mortes ocorridas por um xingamento, uma afronta, uma fechada de carro no trânsito, uma perda de partida de sinuca em bar, uma discussão futebolística, um desacerto político etc. Aí a frivolidade aumentava mais ainda.
O que não se pode olvidar é que a vida humana é o dom mais precioso dado por Deus à sua criatura. Igualmente deve ser lembrado que nossa Constituição Federal, a lei maior do Brasil, estatui sobre o direito à vida. A vida é o bem fundamental do ser humano, pois sem a vida, não há que se falar em outros direitos, nem mesmo os de personalidade. Com base nesse entendimento, todo o homem tem direito à vida, ou seja, o direito de viver e não apenas isso, tem o direito de uma vida plena e digna, respeito aos seus valores e necessidades.
Na semana passada, escrevi meu artigo apontando que a morte de um animal irracional foi mais discutida que o assassinato de seres humanos. O intuito foi mostrar que o homem vai se acostumando com a morte e se tornando frio e insensível, nada contra os animais, mas parece que algumas pessoas não sabem ler ou interpretar uma opinião particular, e ávida por aparecer e ter espaço na mídia, falam absurdas asneiras.
Uma mais comedida sugeriu que eu escrevesse um artigo sobre os castigos impostos aos bichos. Achei interessante a sugestão e vou cumprir. Isso tudo confirma de vez que infelizmente a vida humana vai se tornando cada vez mais banalizada.
