Veja imagens da mansão do Nem
Traficante Nem
A polícia investiga se o enfraquecimento da facção criminosa controlada pelo traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, e a ocupação da Rocinha (zona sul do Rio), principal reduto do grupo, prevista para o próximo domingo (13), podem provocar a união de facções criminosas rivais. Essa suspeita é investigada, segundo informou o coronel Alberto Pinheiro Neto, chefe do Estado-Maior operacional da PM e principal responsável pela ocupação da Rocinha.
Pinheiro Neto, que já comandou o Bope (Batalhão de Operações Especiais), disse que todas as operações dessa unidade e do Batalhão de Choque realizadas nos últimos 30 dias têm relação com a ocupação da Rocinha. Uma delas aconteceu em Macaé, na comunidade das Malvinas, reduto do grupo criminoso fora da capital fluminense onde o Bope impediu a festa de aniversário de um traficante.
Até mesmo a operação na favela de Antares, em Santa Cruz (zona oeste), que terminou com a morte do cinegrafista da TV Bandeirantes Gelson Domingos, no último domingo (6), tinha como objetivo checar informações sobre a suposta presença de traficantes da Rocinha na região, mesmo sendo essa favela controlada por rivais de Nem.
A PM também checou informações sobre suposta ligação de Nem com traficantes do complexo de Senador Camará, também na zona oeste, reduto de Márcio José Sabino Pereira, o traficante Matemático. Em troca da proteção, Nem forneceria armas e dinheiro aos rivais.
Ao contrário da maior facção criminosa do Estado, o grupo chefiado por Nem não tem muitas opções de favelas para buscar abrigo. Com a implantação de UPP no complexo do São Carlos, no Estácio (centro), e no morro dos Macacos, em Vila Isabel (zona norte), restou aos traficantes da Rocinha fugir para o conjunto de favelas do Caju, na zona portuária, e os morros da Pedreira, Quitanda e Lagartixa, em Costa Barros, na zona norte.
O próprio Pinheiro Neto admitiu que o morro da Pedreira, onde o Bope e o Batalhão de Choque fizeram uma operação na última quarta-feira (9), era um dos lugares para onde Nem e os outros chefes do grupo presos poderiam ir.
O oficial explica que houve um racha entre os chefes do tráfico que estavam escondidos na Rocinha. Por esse motivo, alguns decidiram sair antes, outros depois, sem entrar em acordo sobre a estratégia diante da ocupação da Rocinha.
O secretário estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, classificou a prisão do traficante Nem como um grande passo no combate ao crime organizado, mas ressaltou que ainda há muito o que fazer.
Para Beltrame, a captura do chefe da venda de drogas na Rocinha aconteceu graças à integração entre as polícias Militar, Civil e Federal e os setores de inteligência dessas instituições. Quanto ao processo de pacificação da comunidade em São Conrado, que estaria previsto para começar neste domingo, o secretário preferiu não confirmar a data.
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R7
