Onda de assaltos pode acabar com a profissão de cobrador de ônibus


Bandidos agem mais em locais distantes, como a Urbis III, em Eunápolis

Vítimas frequentes de assaltos e da falta de educação de muitos passageiros, os cobradores de ônibus reclamam da insegurança nos coletivos e dos baixos salários. Se não bastasse a insatisfação dos trabalhadores, a atividade tem se tornado cada dia mais obsoleta e onerosa para os empresários que investem em tecnologia e em algumas capitais estão extinguindo a função.


Falta de segurança é um dos desafios da função

Há seis anos na função, o cobrador Cristiano Wicke, de 31 anos, não acredita que as empresas consigam adotar a mesma medida da capital baiana. 

- "Os passageiros não respeitam as regras com a gente no ônibus, imagine se não tivessem os cobradores”, questiona. “Eles xingam, ameaçam, pulam a catraca, querem passar em dupla, sem pagar”, conta, ele que já está a procura de outro emprego. “Quero algo que não precise  lidar com gente é muito estressante”, enfatiza.

Tensão é algo que Valdenir Santos, 32 anos, conhece de perto. Há oito anos na catraca de coletivos, ele foi assaltado mais de sete vezes e em um dos casos, em 1994, acabou ferido com um tiro no peito e afastado do trabalho por sete meses. 

- “O tiro passou entre o pulmão e o coração, nasci de novo”, lembra.

O falta de segurança dos coletivos não é o único desafio dos trabalhadores. 

- “O mais difícil é lhe dar com a falta respeito das pessoas, tem gente de dar dinheiro ‘graúdo’ e não faz o menor esforço de facilitar a vida da gente”, relata Moises dos Santos, 53 anos, 15 destes em ônibus.

- “Época de festas  e dia de jogo são os piores momentos para a gente, as pessoas bebem e parecem que ficam possuídas, querem descontar todas as suas frustrações em nós, os jovens são os mais complicados”, conta Lourival França Mota, 32, que já foi cobrador e hoje é motorista. 

- “Graças a Deus eu vivia estressado”.

Por Elenaldo Costa
Foto: VIA41