A camareira Iranede do Amor Divino, 41 anos, vira-se de costas e pede que a toquem próximo à coluna cervical. “Aqui, ó. Bem aqui”. O que se sente na ponta dos dedos é algo saliente, pontiagudo, sob a pele. Segundo ela, material cirúrgico deixado dentro do seu abdômen durante uma operação a que se submeteu no Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), em julho de 1996.
Moradora de Jacobina, a 330 quilômetros de Salvador, a mulher estaria convivendo há 15 anos com os metais dentro do corpo. Segundo ela, há bisturi, agulha, pedaços de êmbolo de seringa e de gaze. Em fevereiro de 2008, submeteu-se por conta própria a exames de Raio-X de tórax e abdômen. O laudo da Clínica Santa Bárbara registra “clips na topografia da vesícula biliar” e “clips metálicos em hipocôndrio direto”.
A própria Justiça está convencida de que há objetos estranhos no corpo de Iranede e, em 2 de dezembro de 2008, o juiz da 8ª Vara da Fazenda Pública de Salvador determinou que o material fosse retirado em caráter imediato. O estado recorreu da decisão, mas, em maio deste ano, o juiz Mario Albiani Júnior estipulou multa diária no valor de R$ 3 mil por dia em caso de descumprimento.
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